domingo, 8 de março de 2026

12 - Do Anjo Pipoca amante incondicional da violência mais funda

 

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Na terra sob jurisdição do Anjo Pipoca os dias eram largos e os sóis, que eram três, muito altos, e ele gostava de morangos e champanhe. Tinha uma elegância natural e uma tolerância inata, que pedia sempre a perfeição e um diálogo exato. O detetive Narciso reparou que o Espírito Livre ficara feliz.

- A maldade deste anjo é a mais horrenda, tem um nível de sofisticação maravilhoso. Ele é uma figura mitológica, é o único ser que criou o seu passado, – disse no momento da separação.

A informação que o anjo possuía fora arrancada à noite mais funda da história do Universo. Viera das entranhas da sua terra, de onde extraiu a linfa vital que lhe mantinha os poderes.

- Deus não é o Todo-Poderoso que vocês pensam, - avisou.

Ouviu-se um grito rouco das aves, no meio de uma grande paisagem iluminada sobre a claridade dum sol.

- Senhor Narciso, acha que é mau morrer? – Perguntou o anjo aproximando-se do detetive.

- Depende.

- Depende?!

- Depende do trabalho que Deus me der. Pensei sempre que a morte era o fim de tudo, mas já vi que não e que pode trazer-nos muitos problemas.

- Quando andei pelo Universo acumulei ira e ódio, vi que as pessoas eram melancólicas, porque tinham medo de morrer. A violência muitas vezes é generosidade e neste caso é uma experiência estética, – disse abrindo uma porta.