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Na terra sob
jurisdição do Anjo Pipoca os dias eram largos e os sóis, que eram três, muito
altos, e ele gostava de morangos e champanhe. Tinha uma elegância natural e uma
tolerância inata, que pedia sempre a perfeição e um diálogo exato. O detetive
Narciso reparou que o Espírito Livre ficara feliz.
- A maldade deste
anjo é a mais horrenda, tem um nível de sofisticação maravilhoso. Ele é uma
figura mitológica, é o único ser que criou o seu passado, – disse no momento da
separação.
A informação que
o anjo possuía fora arrancada à noite mais funda da história do Universo. Viera
das entranhas da sua terra, de onde extraiu a linfa vital que lhe mantinha os
poderes.
- Deus não é o
Todo-Poderoso que vocês pensam, - avisou.
Ouviu-se um grito
rouco das aves, no meio de uma grande paisagem iluminada sobre a claridade dum
sol.
- Senhor Narciso,
acha que é mau morrer? – Perguntou o anjo aproximando-se do detetive.
- Depende.
- Depende?!
- Depende do
trabalho que Deus me der. Pensei sempre que a morte era o fim de tudo, mas já
vi que não e que pode trazer-nos muitos problemas.
- Quando andei
pelo Universo acumulei ira e ódio, vi que as pessoas eram melancólicas, porque
tinham medo de morrer. A violência muitas vezes é generosidade e neste caso é
uma experiência estética, – disse abrindo uma porta.

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