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Para se entrar no
ninho de Chasmal passava-se através de uma caixa que reproduzia os sons do
fundo do mar, mostrando a história de Plutão Antigo desde as dinastias que
prepararam os faraós de Leve, até ao aparecimento do “Naos das Décadas”, o
Calendário Astrológico de Deus, com nichos para os tempos de todos os Anjos e
Demónios do Universo. Preservava um relato único, escrito em Mentino, sobre a
criação do Mundo. Chasmal gostava muito de contos de fadas e, devido ao lugar
fantástico que era o Mundo criado pelo Senhor, das histórias do Noddy. Era
muito erótico, meio cínico, meio ingénuo. Tinha um sonho, jantar com Lilith à
luz das estrelas, mas sabia que isso nunca se concretizaria, pois era muito
beato, e para ele a deusa era tão louca quanto sonhadora e dominadora no
território dos sentimentos. Como Chefe Supremo nunca poderia prender-se a um
dos maiores poços de egocentrismo pois o cargo exigia-lhe rigidez e
austeridade, mas por vezes tinha encontros fortuitos com ninfas, onde se davam
práticas satisfatórias e outras meiguices. Todos o respeitavam porque havia
sempre uma inteligência, uma seriedade, uma sabedoria nas suas decisões e acima
de tudo uma relação afetiva fortíssima com os seus soldados. Tinha como
companheira fiel uma garça insuflável, oferta de um leveniano em transição para
Laputa. Cuscuz simbolizava para ele a liberdade, sensualidade, a força sexual
que lhe transmitia sensações ao corpo. Através deste anjo conhecia-se o que
estava oculto, pois ele não se detinha nas barreiras do espaço e do tempo. Fora
ele que resgatara o funcionário enviado muitos anos antes para Leve, após os
levenianos o terem crucificado. O Anjo do Fogo era o Comandante Supremo das
Dominações, cento e trinta milhões, trezentos e seis mil e seiscentos e
sessenta e oito anjos formavam o seu exército, cuja missão era proteger Leve.
Este Anjo-Chefe era muito poderoso, assim como o seu exército profissional.
Chasmal sabia que os soldados do outro lado tinham-se embrenhado lentamente por
todos os recantos de Leve, através de nuvens negras, deixando pensamentos
cheios de trovoadas pesadas e longínquas, que pareceram suspender-se no céu de
todas as vidas. Ele sabia que o fim do Quarto Império se aproximava. Este anjo
era fluído e exuberante, capaz de sugerir o dramatismo dos acontecimentos de
forma exemplar, sendo um ícone para os querubins. Nos tempos livres adorava
tocar harpa e pertencia a um quarteto único no Universo, formado por Kronos, o
guarda da Torre de Darik, Hapi e Hathor, que se reuniam uma vez por ano em
Laputa para comemorarem o aniversário de Deus.
- Todos os seres
vivos são constituídos por ideias, e quando os seus destinos se cumprem, as
ideias desagregam-se e regressam novamente ao limbo, para serem outra vez
juntas, em novas combinações. Acontece o mesmo aos deuses, porque o “Livre
Arbítrio” assim o obriga, mas o novo processo é diretamente dirigido por Deus
que, de um modo geral, e usando o poder que o “Criacionismo” lhe dá, reconduz
as mesmas ideias, e dá outra vez vida ao mesmo deus. Laputa quer de novo
Lilith, e esta missão é da vossa responsabilidade. Até lá a dissolução
mantém-se, até Deus intervir e alterar o percurso existencial da deusa.
Precisam de ir diretos para Atuá encontrar-se
com o amante das “Heroínas Angélicas”!

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