sábado, 21 de fevereiro de 2026

7 - Do encontro com “Lorde Fantasma” também conhecido por o “Anjo Demónio”

 


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Todos aqueles que iam ao seu encontro, eram sempre recebidos com incerteza. Era o mais agressivo e minimal dos demónios, acabando sempre por gerar tanto amores como ódios. Ele encarava o “Livre Arbítrio” de uma forma espontânea, correndo muitas vezes o risco de não perceber muito bem o que se estava a passar à sua volta. O “Lorde Fantasma” tinha acesso às mais negras visões do mundo e aos subterrâneos onde estavam guardados os terrores nocturnos e os seres de outras dimensões. Era uma espécie de jardim zoológico. Aproximaram-se com precaução e curiosidade do seu ninho, que mostrava a alegria da cor. Pediu-lhes para esperar um pouco, fazendo sinal com o braço. Estava na parte final de uma corrida de lagartos, sentado numa cadeira e olhando para um tronco.

- Sou um viciado nestes jogos da quinta dimensão, que me distraem da guerra inacabada que Deus não conseguiu resolver, – explicou-lhes.

Tinha uma voz suave e meiga.

- Antes Deus criava as verdades, como o Tempo, mas agora apareceram outros com criativas controvérsias e novas Ideias, e o Caos está à espera do momento para atacar, – continuou, ajeitando um dos corredores que se tinha despistado. – Leve começou a exportar a intolerância, que tem afetado, e muito, a evolução das outras espécies. Deus não tem ilusões sobre as fraquezas, as demências e os crimes dos homens. Mas o Seu otimismo assenta no facto de eles serem capazes de criar o sublime, e assim conseguirem acalmar o nosso descontentamento. É por isso que é considerado um povo mitológico.

- Um povo mitológico?! – Perguntou o detetive Narciso, olhando fixamente para o Lorde. – A maioria é só bêbados e chungosos!

- Foram os únicos dotados por Laputa com comportamentos prescritos, mas com a evolução adquiriram outros, não previstos, que os tornaram sanguinários, ferozes, com uma ganância ilimitada, apesar de conservarem ainda as marcas de Deus, a música, a poesia e a matemática.

- A música há para todos os gostos, a poesia ainda escapa, agora a matemática! – Indignou-se o senhor Baeta.

- Mas o mundo deles tornou-se fechado e previsível, – acrescentou o Espírito Livre. – O seu Eterno Retorno deixou de ser seletivo.

- É a encenação do conflito e da desordem, mas no fim Leve terá de ficar pacificado, senão pelo castigo dos prevaricadores, pelo menos pela compreensão dos seus pecados, – explicou o Lorde. - Narciso, aqui tens o véu sagrado da deusa Lilith, onde terão de ser depositados os pedaços de Lilith, para que Deus os junte. O véu indica o caminho para Laputa.

O detetive sabia agora que estava perto do seu destino, mas a investigação ultrapassava tudo o que tinha imaginado. Teriam sido os honorários suficientes? Compreendia agora porque é que o Espírito Livre exigira uma gota do seu sangue para a assinatura do contrato. A sua alma já não lhe pertencia, estava algures cativa num qualquer canto do Universo. Só lhe restava ir descansar para o seu Mundo Aparente, onde abrira escritório.

 

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