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A acorporagem foi perfeita, todos os sistemas funcionaram, e coordenámos a missão com o módulo de suporte que está em órbita no Corpo-Dois. O robot XT-2 mantém-se em silêncio e ainda não conseguimos detectar o problema. Colocámos no exterior os dois veículos de exploração e estamos a fazer-lhes testes por controlo remoto. A nave desceu numa enorme clareira arenosa e pouco acidentada, rodeada ao longe por uma espessa floresta. Mas o dado mais relevante diz respeito à atmosfera: é igual à do Corpo! Como precaução resolvemos usar ainda por algum tempo os fatos e proceder a mais análises. O “Julinho”, o robot-explorador que vai cartografar a zona do Umbigo, no equador do planeta, já foi testado, encontra-se operacional, e estamos a pensar lançá-lo ao fim da tarde, pois o vento neste momento é forte de sul, e a meteorologista, a doutora Danci Cisto, é da opinião que ele amainará ao anoitecer. Acabou de passar junto à janela o piloto Macléu Ferreira, que me acenou, dirigindo-se a um dos veículos. É estranho estar aqui, em princípio somos os primeiros a visitar este planeta mas, no entanto, começo a ter muitas dúvidas. As condições exteriores são idênticas, para não dizer iguais, às do Corpo, há muita vegetação, o céu também é azul, a temperatura é amena e de certeza que vamos encontrar muita água. A tripulação está muito motivada e desejosa de começar a exploração. A sensação de medo e terror que senti durante toda a viagem, desvaneceu-se agora, já não sinto aquele aperto na garganta, estou bem aqui. O almoço decorreu no exterior, já sem os fatos, num ambiente maravilhoso. O planeta parece estar a cativar-nos, irradia algo de extraordinário, até o vento adormeceu, dir-se-ia que sabia que a sua presença nos estava a prejudicar. Decidimos então proceder ao lançamento. O navegador confirmou as coordenadas e eu dei a autorização para o início da missão “Desvendar Mistério”, da responsabilidade da equipa-um, constituída por mim, pelo Alfredo e pelo capelão Graise, que também é engenheiro cósmico. O robot-explorador, o Jota-F-191, a quem nós carinhosamente chamamos de “Julinho”, possui dez rodas de borracha maciça, um motor termonuclear e três turbinas móveis que lhe permitem voar a uma altura máxima de dez metros. As quatro câmeras transmitem uma visão constante de 360 graus.
A descolagem foi um êxito e vimo-lo, fascinados, a desaparecer no horizonte. O resto do dia foi passado a preparar as outras duas equipas.
Assinado, Rita Bouvalier, comandante da missão
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