terça-feira, 5 de maio de 2026

63 - Cordeiro Verde - Missão "Novo Olhar" - A Entrada

 

63

O amanhecer acordou bem disposto, espalhando pela região uma luminosidade radiante, embora um pouco fria. Os quatro sobreviventes da missão “ Novo Olhar “ levantaram-se cedo e estão a ultimar os preparativos para mais uma viagem. Descobriram ao longe umas formações rochosas que parecem ser muralhas, sinais de que o destino está próximo. Os motores da “ Carraça “ já rosnam, o radar principal voltou a estar operacional e o engenheiro de sistemas Paulo Prestes acaba de se sentar aos comandos do veículo.

- Há problemas no sistema de refrigeração, – informa a engenheira Rita Bouvalier. - Temos de avançar com precaução e parar caso a luz de aviso acenda.

- Penso que o computador central resolverá rapidamente o problema, – diz o co-piloto Narciso Figueiredo Baeta.

As portas laterais são fechadas, o ruído aumenta e a “ Carraça “ põe-se lentamente em movimento.

- Já repararam que o radar acusa a presença do Piolho-Um em órbita do Corpo-Dois! - Exclama Rita.

- Agora tudo é possível, – diz, com uma voz rouca, John. - Os nossos sentidos estão embriagados, não sabemos o que é real e o que é fictício.

A viagem decorre sem incidentes, descendo a estrada que serpenteia pelas montanhas de várias cores, pois cada um dos ocupantes tem uma opinião diferente:

- A cor amarela das árvores é lindíssima, – diz Rita.

- Amarela?! É tudo azul! - Exclama Paulo.

- Azul!?! Amarelo!?? Cor-de-rosa, algum maluco andou a despejar aqui as latas de tinta que tinha no sótão. Poluidor! - Interrompe John.

- Fiquem com as cores que quiserem, que o meu encarnado ninguém me tira. Parece que as montanhas estão em fogo! - Grita Narciso, chorando emocionado.

Após a curva apertada, aparece uma enorme porta a barrar o caminho.

- Está fechada!

- Está alguém ali.

No lado inferior direito uma outra porta mais pequena está aberta e um vulto olha, imóvel, para os recém-chegados. Paulo tenta abrir a porta do seu lado e:

- Não consigo, está encravada.

- Deixa-me tentar, – diz Rita. – Não, também não consigo. Saímos pela porta do meu lado, – e roda a maçaneta. – Não, esta também não abre.

- Eu vou conseguir sair.

Narciso levanta-se, puxa a alavanca e a porta abre sem problemas.

- Eu também vou!

- Não venhas John, não vais conseguir.

- Então tu sais e nós não!??

- Há quem seja o preferido de Deus!

- Não brinques, não é altura para isso. Estamos colados aos assentos, algo nos obriga.

- Peguem nos binóculos e vejam quem está na porta.

Incrível! O vulto não é mais do que o coronel Narciso Figueiredo Baeta, ou melhor, um sósia.

- John, esta é uma das entradas da banda 2 do espectro, – esclarece o co-piloto. - Temos um tesouro nas mãos.

- Mas como é que tens tantas certezas?!

- Eu também fiz parte do projecto “ Tempo Novo “, não contaste tudo, John! Todos nós, direta ou indiretamente, estamos ligados a isso. Quem está ali é a minha imagem, e atrás dela estão as vossas. Para entrarmos no “ Tempo sem Data “, elas têm de sair, é a nossa segurança, é a segurança de Deus, Ele fez clones de todas as espécies.

O coronel aproxima-se da porta e a sua imagem sai e afasta-se. Quando se cruzam o original pára, obrigando a cópia a fazer o mesmo. Sorri para o seu clone e tem como resposta também um bonito sorriso.

- Felicidades amigo!

- Sedadicilef  ogima !

Enquanto ultrapassa a porta, cruzando-se também com outra engenheira Rita Bouvalier, o seu sósia entra calmamente na “ Carraça “. Um a um, os outros três fazem a mesma troca, e algum tempo depois a porta fecha-se, ficando no lado de dentro os originais da tripulação do Piolho-Um e no exterior, na “ Carraça “, os seus clones.

Na Nuca da Eva, Helias II recebe uma informação:

- Majestade, eles acabaram de entrar!           

 

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