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13 de Junho de 1969
A notícia correu depressa pela região, o paciente do quarto número cinco, o senhor Paulo Prestes, acordou do seu longo sono e passeia agora calmamente pelos bonitos jardins, na companhia da fiel enfermeira Margarete. São observados do alto, pelo director.
- Há quanto tempo é que ele está aqui, doutor Preston ?
- Segundo a ficha, o senhor Prestes entrou há vinte anos, com um parkinsonismo pós-encefalítico.
- A “Doença do Sono”?
- O senhor director conhece a doença!??
- O meu pai tinha seis irmãos, ele foi o único que não apanhou a encefalite letárgica. Todos morreram! Estava em Viena em 1916, o meu pai tinha sido nomeado embaixador. Apesar de nunca ter conhecido nenhum deles, quando vi pela primeira vez uma fotografia da família, aos 7 anos, disse o nome de todos sem me enganar. A “doença do sono” deixou marcas na família!
- Parece um milagre, o senhor Prestes ontem levantou-se normalmente e foi passear para o jardim. Parece não saber onde está, e nem pergunta, só se mostra preocupado com uns colegas, que desconhecemos quem sejam.
- Já viram nos arquivos?
- Rita Bouvalier, Narciso Baeta e John Covões nunca foram nossos pacientes.
- Deixem-no sentir o mundo, está perdido no tempo, tem de ser ele a encontrar-se!

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