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Mas o desconhecido não disse que vinha corrigir geneticamente a espécie, resultado de um quarto upgrade dos chimpanzés, por amor à sinceridade cósmica, levar o Homem à vitória sobre si próprio. Ficaram ambos estáticos como duas pessoas que se vissem pela primeira vez e que buscavam na aproximação alguma coisa como uma reminiscência. Vitalina lembrou-se da primeira vez que fora a uma discoteca com as primas, e que o porteiro barrara-lhes a entrada por causa da idade. Sentira uma estranha vibração pelo homem! Um terceiro astronauta caíra no Arquipélago dos Bijagós entre os mangais, e as gentes que o viram chamaram-lhe o Gigante Adormecido. Mais tarde cresceu um arroz especial à volta do corpo do desconhecido a quem a população chamou npampam, o tesouro do povo. O terceiro piloto caíra numa ilha húmida e viçosa, Brava, em Cabo verde, lá para os lados da Cova Rodela e transformara-se num velho com um turbante. O radiofarol, a quem as gentes chamavam a Montanha Vulcão do Fogo, atraíra-o a uma cilada, mas antes de se despenhar viu um velho no rio Nabão a recitar Camões para um menino e uma menina, à medida que remava, sentiu as dores do 12º parto da jovem rainha obesa de nome Maria, a segunda, e ainda teve tempo de a ver morrer na madrugada de 15 de novembro de 1853, sinal de que este mundo se desconstruía cruzando os tempos a esta gente vinda de Vénus e sem algo para os guiar. E era sempre com muito medo que aterrava neste planeta em que a espécie dominante matava todos os dias 3 mil milhões de animais para se alimentar. A nave abanava sempre impiedosamente com os irrascíveis e instáveis Alísios, que a riscavam com a areia do Saara.

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