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A vista da zona do Queixo é fabulosa! À nossa frente erguem-se duas montanhas que parecem querer ouvir cantar as estrelas. Entre elas corre um estreito profundo, e ontem o Paulo disse ter visto vários vultos negros a desfilarem lentamente por um dos caminhos. O silêncio é redentor, as estrelas que nos contemplam curiosas, parecem ter orelhas e ontem vimos meteoritos a precipitarem-se na zona da Nuca. A “Pulga” está com problemas num dos eixos centrais e isto tem atrasado a marcha. Os aparelhos registaram uma grande trovoada na zona do Umbigo, que está em deslocação para o Pólo Norte, e para a evitarmos teremos de andar mais depressa. Optámos por abandonar o veículo e prosseguir na “Carraça”. Os nossos companheiros que regressaram ao Corpo já devem ter chegado e ontem, durante toda a noite, estivemos à escuta, mas não conseguimos captar qualquer contacto entre eles e o Comando Central.
Segundo os nossos cálculos, devemos chegar à zona central esquerda dentro de vinte horas. A viagem vai ser ininterrupta e vamo-nos revezar nos comandos. As condições atmosféricas estão inconstantes, chove de noite e durante o dia o céu está limpo. O coronel Narciso Baeta já definiu a rota, e afirma ter descoberto uma via artificial. As provas da existência de vida vão-se acumulando e estamos convencidos de que dentro em breve vai haver um contacto definitivo. Ontem o radar detectou durante alguns minutos o voo de um objecto, que poisou algures no sítio para onde nos dirigimos.
Assinado, Rita Bouvalier, comandante da missão.

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