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A memória raras vezes encontra o lugar em que se perdeu. A avó de Vitalina cruzou-se, só uma vez, com uma senhora cuja brancura permitia ver-lhe os mapas das veias e as zonas lisas do pensamento, e que à medida que andava fazia nascer flores, como se fosse o outro milagre dos pães e dos peixes.
- Esse quem o fez foi o meu irmão, - disse-lhe a desconhecida. – O meu nome é Eva, e acabei de deixar a Argentina.
Através dos filhos persistimos para sempre de alguma forma, porque eles nos impedem de perecer e muitas vezes este amor pode ser uma ruína. Apenas na morte se pode ser imortal. Da mesma maneira que o barão de Água-Izé encontrara o seu amor 144 anos depois do nascimento, Eva também se cruzou com o António Cândido nove anos depois da morte dele no dia 31 de janeiro de 1943, de sarampo com broncopneumonia e abcesso pulmonar na casa de família na rua Fernandes Tomás, 242, Porto, e beijaram-se levemente. Era o dia 26 de julho de 1952, quando ela fechou os olhos e se entregou à eternidade, enquanto o seu corpo era embalsamado, também para sempre.

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