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John dá a volta à chave e o veículo começa a vibrar, como que a dançar ao som do barulho dos motores. Dá uma olhadela aos seus companheiros-estátuas. Parece estar tudo em ordem, ninguém se queixa. Empurra a alavanca laranja para a frente e o “Carraça” arranca, fazendo estremecer os seus ocupantes. O clone do Paulo não resiste ao abanão e cai desamparado para a frente, bate com a cabeça no painel dos instrumentos e fica encostado ao John.
- Chega para lá, assim não consigo guiar - grita, empurrando-o para o lado contrário.
A estrada sinuosa mostra a variedade das paisagens e a imensidão do território. O sol levantou-se cheio de força e deixou o vento a dormir. No céu, milhares de pássaros voam aos círculos e gritam desalmadamente uns para os outros, talvez tentando mostrar de quem será a mais forte goela.
- Isto mudou radicalmente! As zonas da Cabeça e do Tórax eram muito mais agrestes, – diz John, quebrando o silêncio sepulcral. - O Abdómen é mais alegre.
Ao seu lado vai o engenheiro de sistemas Paulo Prestes, ou melhor, a sua imitação, que parece ter sido feita na República do Estômago, na posição invertida: pernas para cima, cabeça para baixo, “congelado”, completamente “congelado”.

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