quarta-feira, 20 de maio de 2026

142 - A Mulher do Fim do Mundo - Portais (2)

 

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Diziam que o barão de Água-Izé entrava a cavalgar na Boca do Inferno em São Tomé e saia na de Cascais, para ir ter com a amante. O João Maria, filho da tia Teté, destoava dos dez irmãos, porque tinha a cor da pele dos trópicos. O cavaleiro noturno nascera em 1816, ela em 1960, entrava e saia porque tinha esqueleto, ela nunca o poderia acompanhar no regresso porque deixava de existir. Às vezes para fazer acontecer temos de unir as pontas do Universo, a passagem exigia sempre um pouco de DNA em ambos os lados! O que Vitalina não sabia é que os familiares de Vénus, com fatos de voo verde, por isso serem sempre apelidados de marcianos, andavam por aí à procura das consciências das suas gentes, mas como o rádio farol montado no Vulcão do Fogo há muito avariara, andavam às apalpadelas pelo planeta atrás delas e dos descendentes. Um piloto despenhara-se em Somerton Beach, em Adelaide, Austrália, no dia 1 de dezembro de 1948, e fora encontrado por humanos com a cabeça e os ombros apoiados no paredão. Tinha um metro e oitenta de altura e foi-lhe dada a idade de 45 anos. O relatório relatava que estava “elegantemente vestido e calçava sapatos recém-engraxados”. Segundo testemunhas da noite anterior, mexia-se quando passaram por ele, por isso só no dia seguinte é que alertaram as autoridades. Na autópsia repararam numa característica marcante, o “homem” tinha membrana interdigital nos pés e um implante na boca. Foi enterrado no mês de maio de 1949 no cemitério de West Terrace, com uma lápide onde foi escrito, “O homem desconhecido”.

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